sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Para ir recordando...

Recordação I:

Um dia, ou melhor um fim de tarde, lá para a longínqua década de 40, um miúdo com cerca de 7/8 anos, fazia regressar ao curral o seu pequeno rebanho.

O pastorinho e suas ovelhas, que vinham de ínsuas situadas na margem esquerda do rio Mondego, tinham de entrar e atravessar a ponte.

E de facto entraram, mas eis senão quando, numa curva, das duas existentes na ponte, aparece uma motorizada, talvez a primeira que ali passava naquele dia, e, ciclomotor, condutor e ovelhas, embrulham-se todos num aparatoso, mas Graças A Deus, inofensivo acidente.

O pastorinho entra em pânico, e, apesar do condutor e veículo se encontrarem estatelados no chão, e das suas ovelhas estarem todas direitinhas, vivinhas da costa, e de perfeita saúde, o nosso pequeno condutor de rebanhos, começa gritar com toda a força que os seus pequenos pulmões e cordas vocais permitiam:

“Oh gente da Foz Dão, acudam às minhas ovelhinhas, foi o Campos da Venda Nova que as matou”. Realmente era este o nome e a residência do interveniente no acidente.

Felizmente que as consequências foram uns pequeníssimos arranhões no veículo, mas a grande preocupação do pequeno pastor, eram as suas ovelhinhas e não os arranhões na motorizada do Sr. Campos.

Esta situação prova também que, na nossa terra, havia uma grande amizade e espírito de entre ajuda, por isso, o pequenino guardador de ovelhas, chamou por toda a gente da Foz do Dão, pois sabia que, independentemente de quem aparecesse, o socorro estava garantido; para todos, naturalmente.

Ainda hoje, decorridos cerca de 60 anos, o pessoal da terra quando se junta e acontece algo de mais insólito, desde que cómico, continua a bradar: OH GENTE DA FOZ DÃO ......, incluindo o antigo pastor.


Recordação II:

Na aldeia não haviam só brincadeiras inofensivas, também as havia bem maldosas e pouco cristãs. Senão vejam:

A rapaziada nova, de vez enquanto, apetecia-lhe comer um galináceo pica no chão, (não havia dos outros) fora do horário normal das refeições e a custo zero.

Para satisfazer aquele apetite, juntavam-se uns quantos marmanjos e há que roubar o bicho ou os bichos, dependendo dos comensais.

Um domingo, à tardinha, 3 mariolas, resolveram que iriam merendar galinha refogada, e como as galinhas tinham a mania de se passear alegres e contentes pelas ruas da terra, lá apanharam uma debaixo da ponte.

Depois de lhe tirarem a alegria e a mania do passeio, embrulharam-na numa camisola e foram prepará-la para a eira de um dos gabirus. Comeram e beberam e lá foram cada um para suas casas dando as mais variadas desculpas para a falta de apetite para a ceia (era assim que se chamava o jantar)

Na segunda-feira seguinte, uma velhinha, acusou o roubo alegando que era a melhor ave que tinha no capoeiro e que estava guardada para o seu filho, que chegaria em breve do Brasil.

No sábado dessa mesma semana, um dos comedores, verificou que numa rua da aldeia, estava morta uma galinha parecida com a devorada. Nessa noite, foram buscar a dita e colocaram-na à entrada do capoeira da roubada com o intuito de fazer crer à velhinha, que se tratava da sua galinha.

No domingo madrugaram para observar se a tentativa do logro tinha tido sucesso e, qual não foi o seu espanto, quando viram a velhota com uma enchada às costa, e a galinha pendurada por uma pata, dizendo para os circunstantes, entre os quais os ladrões:

“Que Deus me perdoe os falsos testemunhos que levantei, coitadinha,
Ainda teve forças para vir morrer ao poleiro” e lá foi enterrar a galinha.

Ora, o mínimo que as “aves de rapina” deveriam ter feito era tirar-lhe a enchada e a galinha e ir enterrá-la, mas, concerteza que não o fizeram para não se denunciarem como autores do furto. Que Deus Lhe perdoe.

Numa outra altura, comensais diferentes, deliciaram-se com uma galinha, preta, de um outro capoeira.

Passados alguns dias, um dos participantes na comezaina, ouviu esta conversa da roubada para uma sua amiga:
- Oh fulana, lembras-te daquela galinha preta que eu dizia que me tinham roubado? Já apareceu, andou fugida, mas olha que ela não volta a fugir, já a matei e comi parte.
Claro que a galinha que matou e comeu não era sua mas de uma de outra pessoa que, mais tarde, veio a acusar o roubo.
-Grupo de rapazes, junto a uma das” Rodas de tirar Água”, existentes na Foz do Dão-

As Festas

A Foz do Dão tinha uma antiga e bonita Capela, dedicada a Nossa Senhora da Piedade.

Junto à Capela existia um cemitério dos princípios do século XIX.
De resto, era a única povoação da freguesia de Óvoa, para além desta naturalmente, que possuía um cemitério para sepultar os seus mortos.

A Nossa Senhora da Piedade era a Padroeira da Foz do Dão.
As festas em sua honra tinham lugar no dia 31 de Agosto. Eram festas muito afamadas na região. Um ano, lá muito longe! a festa foi de arromba, com o então famoso e caro conjunto musical “OS MELROS DO TROVISCAL”.

Também, se comemorava o mártir São Sebastião no dia 20 de Janeiro.
A festa em honra de São Sebastião era mais simples que a da Padroeira, normalmente, neste dia havia missa de manhã e, um rancho melhorado: arroz de cabidela de galinha que se conhecia o cantar e, à noite um bailarico, abrilhantado por na altura famosos artistas da praça, designadamente: o “Ceguinho de Chelo” e o “Carelhas”.


Ao remexer em antigos livros da Capela, encontrei um datado de 1875, no qual se refere um empréstimo à Capela de Santa Eufêmia no valor de 60 mil reis, com juro de 5%! (segundo as anotações daquele velho livro, os 60 mil reis foram entregues pelo Sr. Joaquim Marques, do Chamadouro, no dia 31 de Agosto de 1875)

E, não é que no dia 26 de Setembro de 1964, o empréstimo foi liquidado, tendo a Capela da Foz do Dão recebido, também, o juro de 90 anos (270 escudos)!


As gentes da Foz do Dão festejavam com grande fervor as festas do Natal e Páscoa.
De facto, no dia de Natal havia missa na localidade e muita gente se recordará do Ti Joaquim Mariano, há muito falecido, cantar com voz forte, tom muito alto e grande devoção o BENDITO E LOUVADO SEJA ....

Era tradição da terra “tirar as Janeiras”.

Assim, cerca das 20H00 do dia 31 de Dezembro, juntavam-se os homens da terra, alguns com instrumentos musicais - tinha fama a tuna da Foz do Dão - quem nunca ouviu falar no Zé da Rabeca? e, iam tocar e cantar de porta em porta pedindo as Janeiras. A dona da respectiva casa metia no saco de linhagem que um elemento do grupo transportava, carne de porco, chouriças e morcelas.
Enquanto decorria o peditório, 2 ou 3 elementos mais novos, tratavam de ir roubar as couves (de cortar) na melhor horta da terra. O dono destas também as saboreava, mas, no dia seguinte, ficava a saber que comeu, e lhe comeram, as suas couves.
As carnes e enchidos oferecidos e as couves roubadas eram entregues ao Ti Arnaldo, que tratava de fazer um delicioso cozido à portuguesa.
O vinho e o pão eram pagos por todos.
O repasto terminava já muito dentro do Ano Novo

Era também a festa dos pinhões, não dos comprados no supermercado, mas daqueles que, percorrendo-se dezenas de quilómetros em bicicleta, se iam apanhar as pinhas mansas que se abriam em fornos a lenha, e cujo invólucro se partia com os dentes, ou com uma pedra.

Na segunda-feira de Páscoa, antes do compasso, havia missa na aldeia.
O dia de Páscoa era dia de “tirar” o folar aos padrinhos, tratava-se de um grande bolo de trigo com dois ovos cozidos em cima. Este bolo, por ser de trigo, era muito apreciado, uma vez que durante todo o ano o que se comia era broa de milho, e, nas épocas más, que eram muitas, até de cevada e aveia.

Duma maneira geral as gentes do Chamadouro e do Oveiro assistiam às missas de Natal e da Páscoa na Foz do Dão.
Também o Carnaval tinha alguma implantação na terra.
Na altura não havia corsos, e as tangas – de tecido e outras – eram ainda inexistentes.

Temos que convir que as “carnavaladas” da Foz do Dão eram muito pouco caritativas, senão reparem:

O BADALO:
Num fio com cerca de 60 cm atava-se uma grande pedra; este fio era pendurado na aldrava da porta de um residente, e um outro fio, com muitos metros, era atado àquele na sua prependicular.

A grande distância do local do “crime”, meia dúzia de “marmelos” – que nos desculpem os verdadeiros marmelos - puxavam e aliviavam o fio comprido, fazendo com que a pedra batesse com grande estrondo e muitas mossas, na porta do feliz comtemplado.

Escusado será dizer que o morador acordado daquela sonora maneira, mimoseava os “badaladores” com todos os nomes que se possam imaginar e, não poucas vezes tentava ir na sua peugada com a óbvia intenção de lhes fazer alguns carinhos. No entanto, esta brincadeira ? era sempre feita pelos mais jovens, os quais, como é evidente, tinham grande facilidade em dar corda não aos sapatos, mas aos pés.

Naquela altura não havia portas de aluminio ou de madeira fina, normalmente eram portas feias, fortes e rijas, aliàs, as mais vulneráveis à pedrada, eram poupadas naturalmente;

A ARRUAÇA:
Alta noite, no cimo de um monte (também se chamava ir ao cabeço) sobranceiro à povoação, 4 ou 5 homens munidos de um grande funil que fazia de megafone e distorcia a voz, gritavam a plenos pulmões as fofocas da terra, sem nunca referirem quaisquer nomes. No dia seguinte, o grande assunto na aldeia era tentar descobrir quem eram os pregoeiros e os visados.

Começava sempre assim: OH CAMARADA e aquele ou aquela que - seguia a noticia – apesar de o termo camarada na altura ter conotações muito perigosas, ali, por esse facto, nunca houve qualquer problema.

SERRAÇÃO DA VELHA:
Ocorria no meio do período entre o Carnaval e a Páscoa.

De noite, alguns homens, munidos de um cortiço velho e um serrote de carpinteiro, iam para junto da casa de uma idosa do lugar e, serrando o cortiço, um perguntava! oh fulana a quem deixas o pinhal X ? um outro respondia! é ao meu filho, filha, neta, neto etc... fulano. A ladainha continuava até que fosse testamentada toda a herança da velha serrada.

Duma maneira geral esta brincadeira era bem aceite pela visada, mas, às vezes, havia a tentativa de interrupção do testamento com o arremeço de coisas muito esquesitas.
-Documento do empréstimo, com a assinatura do Pároco daquele tempo – Exmo Senhor Prior Joaquim Borges Sobral-


-Capela da FOZ DO DÃO, ao lado está o Cemitério antigo-

Foz do Dão e a pesca


Outras formas de pesca:

FACHA – Pesca feita de noite, normalmente nos meses de Abril, Maio e Junho.
Um pescador transportava o facho de luz e outro um arpão de dentes muito finos. Andavam de jusante para montante em águas pouco profundas e correntes. O peixe ficava encandeado (parado) com a luz e era fisgado.
As fontes de luz começaram por ser pinhas a arder em cestas de rede de capoeira, mais tarde passaram a ser gasómetros (utensilios muito usados antigamente nas minas) e mais recentemente (há cerca de 30 anos) com candeeiro (petromax).
Esta pesca era proíbida.

CEVADOIRO – Pesca feita de noite, no Verão.
Consistia em engodar, (bolas de farelo amassadas com borras de azeite), determinado local do rio de águas paradas, e, ao cair da noite o pescador ia lançar a rede (tarrafa) sobre o local previamente a engodado.
Também era proibido

À MÃO – Pesca também de Verão até porque era necessário andar completamente metido na água.
O peixe, normalmente barbos, depois das águas terem sido “batidas” pelos pescadores à rede, tinha tendência a esconder-se sob as pedras, desde que o posicionamento destas o permitisse.
O pescador metia as mãos debaixo daquelas e lá trazia alguns exemplares, deixando, quase sempre, fugir muitos mais.

COM GUELRICHO – Tampem, de noite e de Verão. Era uma armadilha feita de rede de malha fina, com cerca 70 cm de comprimento e 25 de diâmetro, onde se colocava o isco (pequenos peixes secos), lançada no rio com a entrada virada para a foz e presa com uma pedra para que ficasse no fundo.
Com estas armadilhas pescavam-se essencialmente enguias e às vezes pequenas mas incomodas cobras de água

COM CORDA – Também, de noite tratava-se de uma armadilha para enguias.
Numa corda, com 4/5 metros de comprimento, colocavam-se vários anzois com isco igual ao dos quelrichos. Lançava-se no sentido prependicular à corrente com uma pedra atada em cada extremidade, sufientemente pesadas para que não fosse possivel o seu arrastamento.

DE ARREGANHO – Com frio em sentido literal. No inverno, em dias de grandes camadas de geada, os peixes (barbos) juntavam-se em cardume em águas de profundidade não muito superior a 1 metro, em locais onde houvesse grande incidência de raios solares e ali ficavam praticamente parados. Descoberto o local do arreganho era só lançar sobre ele a rede (tarrafa).
Pesca proibida

COM AZORRA PRA TRÁS – Pesca ao sável, de noite na Primavera.
O azorra pra trás foi inventado por um residente da Foz do Dão.
Consistia num aro de verguinha rodeando uma rede de capoeira com um metro de profundidade e 1 metro de diametro, atado numa vara comprida.
Os Savéis, para desovar juntavam-se em zonas de forte corrente do rio e faziam ruidosos movimentos quase á superficie. O nosso inventor, conhecedor desta faceta do peixe, ancorava o barco na zona onde supostamente se ia dar a desova, e quando esta de facto ali ocorria, lançava o aparelho e podia apanhar de uma só vez vários peixes.

Os pescadores mais velhos e experientes da aldeia, quando viram a “engenhoca” riram-se, e acreditavam tanto na sua eficácia, que alguns se voluntariaram para comerem crus todos os sáveis pescados “naquilo”. O certo é que, na primeira noite, a pesca com aquele aparelho rendeu 7 exemplares. Contudo, talvez por se tratar de uma especie com muitas espinhas e escamas, ninguém teve coragem de comer sável cru..

NA BRULHA – Local de desova, pesca normalmente durante o mês de Março, aliàs há um ditado popular que diz “no Dia de S. José (19.03) ou na brulha ou ao pé).
Trata-se de facto da desova do peixe, normalmente bogas.
Os peixes juntavam-se em cardume, em local pedregoso, com corrente forte, com altura de água de mais ou menos de 20/30 cm, para desovar, nessa altura, os pescadores lançavam as redes (tarrafas) sobre a brulha e pescavam grandes quantidades de peixe.
Pesca proíbida.






Pesca à fisga

A lampreia fixava-se com a ventosa (boca) às rochas no fundo do rio e o pescador, com muito equilibrio, boa visão e melhor pontaria, lembro que nesta altura, primeiros meses do ano, os rios tinham muita água e forte corrente, lá trazia, na maior parte dos casos, a lampreia para dentro do barco.

Esta lampreia, por ser picada e perder sangue, era de qualidade inferior à dos pesqueiros fixos, e, consequentemente, quando vendida, era mais barata.

A pesca à fisga era proíbida e na altura, o guarda rios, um santacombadense, aquando da sua ronda pela zona, obrigava os fisgadores da Foz do Dão a terem olho vivo e barco ligeiro para não serem apanhados em contravenção.

A pesca de barbos e bogas era feita por um par de homens - alguns felizmente ainda vivos - em cada barco, os quais pela madrugada, para não dizer de noite porque era proíbido, com barcos e redes (albitanas e tarrafas) se entregavam à faina.

De manhâ, as peixeiras, (mulheres que vendiam o peixe) iam ter com os pescadores ao rio (em local combinado com estes no dia anterior) buscar o produto da faina e, carregando à cabeça as cestas com muitos quilos de peixe, subiam por veredas as ingremes encostas, até chegarem àquilo que na altura se chamavam estradas.

Depois, na maior parte das vezes a pé, calcorreavam essencialmente os concelhos de Santa Comba Dão, Tondela e Viseu – para o último já utilizavam carreira (autocarro) - vendendo o peixe. Vida dura a destas mulheres! Algumas ainda vivas Graças A Deus.

Regressadas a casa, muitas vezes já alta noite, cansadas, com os pés pisados pelos muitos quilómetros percorridos, era vê-las felizes com o pequeno lucro de 9 ou 10 escudos alcançado, mas animadas, para no dia seguinte repetirem os mesmos sacrificios, para poderem contribuir, nalguns casos exclusivamente, para o sustento das suas famílias.

Havia na Foz do Dão outras formas de pesca, tais como:“À facha, ao cevadoiro, à mão, com guelrricho, com corda, de arreganho, com azorra pra tràs, na brulha (desova) etc..”

- Pesca à fisga, no Rio Mondego-

Aldeia da Foz do Dão - II

A Foz do Dão era essencialmente piscatória, tinha os únicos pesqueiros fixos desde a Figueira da Foz, onde se pescava, em grande abundância, podemos dizer aos milhares por época, as saborosas e, então bastante baratas, lampreias.

Ainda me lembro, como o diz o anúncio, de se comprar, em ano de grande bastança e no final de época, um exemplar por 25 tostões! Nas tabernas do Sr. Carlos e do Ti Arnaldo, nos meses de Janeiro a Abril e, apesar de todas as insuficiências da aldeia e por conseguinte destas casas, eram servidas centenas de refeições de lampreia (só se confeccionavam por encomenda) chegando a vir pessoas propositadamente de Lisboa, comer os ciclóstomos.

Aliàs, no livro de culinária “COZINHA TRADICONAL PORTUGUESA”, da autoria de Maria de Lurdes Modesto, consta uma receita de “lampreia à Fozdão” o que, naturalmente, não deixa de comprovar a boa qualidade da cozinha da Foz do Dão. Também, se pescavam ali bogas, barbos, enguias e sáveis em grande quantidade.

No rio Dão (antes da sua foz), havia um dos referidos pesqueiros e na margem esquerda do respectivo açude, havia um moinho (moenda) onde era moído milho, trigo, centeio e cevada produzidos nos terrenos da Foz do Dão e nas aldeias circundantes e que os moleiros carregavam para as moendas nos seus cavalos e burros. Igualmente, a cerca de 300 metros a montante da foz, mas no rio Mondego, havia mais uma moenda e pesqueiro

Ao cima daqueles, quer no rio Dão quer no Mondego haviam mais moinhos e pesqueiros, mas que, óbviamente, pescavam muito menos quantidade de peixe. Havia anos, quando as enchentes dos rios eram pequenas, que ali não chegava uma lampreia sequer.

A grande quantidade de lampreias eram pescadas nos pesqueiros fixos, digamos 99%, mas também havia a pesca à fisga (um arpão com seis dentes) fixado na ponta de uma vara e com o pescador de pé na ré do barco.

Moenda, movida com a água represada pelo açude do Rio Dão

-Açude do Rio Dão, nas suas extremidades situavam-se os pesqueiros-

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

ALDEIA DA FOZ DO DÃO (I)

FOZ DO DÃO:

Para os mais jovens, com menos de 30 anos, o nome desta povoação nada ou muito pouco lhes dirá.

Para matar saudades aos mais velhos, lembrar os mais novos e deixar recordações aos vindouros, propomo-nos, tratar aqui algumas das caracteristicas da terra e das gentes, daquela que foi uma das mais bonitas aldeias do Concelho de Santa Comba Dão.

A Foz do Dão ficou submersa pelas águas da Barragem da Aguieira, pensamos que em Junho de 1980, quando do fecho das respectivas comportas.

Foi ela que, desaparecendo, pagou o preço mais elevado pelo desenvolvimento turistico do nosso concelho. Houve outras, mais pequenas, que tambem foram submersas; Senhora da Ribeira e Breda.

Ficava localizada a sul de Santa Comba Dão, entre os rios Mondego e Dão.

Tinha, na confluência dos rios, uma lindissima praia de areias finas e águas límpidas. Se hoje existisse, estamos certos, seria um destino turistico por excelência.

A Foz do Dão, na altura, era chamada a “SALA DE VISITAS DE SANTA COMBA DÃO”, apesar de não ter água canalizada, saneamento, nem electricidade.

Antes de ali ser construída, sobre o rio Mondego, a Ponte Salazar - inaugurada em 17 de Outubro de 1935 - as ligações entre os Concelhos de Santa Comba Dão, de Penacova e Mortágua eram feitas por uma grande barca (passavam nela animais de grande porte como bois e burros).
Era, também, nesta barca que várias mercadorias, designadamente sal, passavam do concelho de Penacova para o de Santa Comba Dão; mercadorias essas carreadas até ela e depois dela em carros de bois.
Depoís de concluida a contrução da Ponte, a barca grande foi desactivada e, a ligação ao Concelho de Mortágua passou a fazer-se através de um barco significativamente mais pequeno.


Tratava-se de uma aldeia essencialmente piscatória onde se situavam os primeiros pesqueiros fixos a partir da Figueira da Foz.


Vista parcial da FOZ DO DÃO, em 1965

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Um postal de outros tempos








Hoje a Foz do Dão já só "vive" na nossa memória!